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sexta-feira, 12 de março de 2010

Os dias

Não foi num sábado sabático e sim, numa segunda, quando Domingos foi deixado por ela pela segunda vez.

Na terça, ficou de cama, ruminando a mágoa, tomado por uma febre terçã.

Na quarta, pela quarta vez seguida, ligou e somente logrou falar com a máquina.

Na quinta, enquanto passeava pela Quinta da Boavista, lugar onde sempre levavam uma cesta às sextas nos piqueniques de outrora, caiu de joelhos na grama e chorou.

A cena pedia um cenário triste, um dia cor de chumbo, destes que roubam a alma e a vontade de viver, mas não era o caso. Fazia ao invés, um dia lindo, cheio de sol e o céu não poderia estar mais anil. Talvez fosse isto o que mais lhe doesse: mesmo o mundo não compartilhava de sua dor e insistia em cuspir felicidade em sua face pegajosa de lágrimas.

Chegou o domingo e Domingos comemorou seu dia, com o chumbo que o céu lhe negou.

Um comentário:

Gabriela Maria disse...

Acho que o texto já seria completo mesmo só com os dois últimos parágrafos. Muito bom!