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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Semana Sem Ana

Acordei só. Pensei por um instante que não fosse verdade. Que teria sido só um sonho ruim. Que bastaria ir à cozinha e te encontrar cantarolando e passando um café fresco. Escutando música no rádio, conversando com as plantas que tu acabavas sufocando com cuidados demais.

Em geral esta esperança era o que havia de mais cruel. Quase tão cruel quanto te esquecer. É uma vergonha, mas já não lembrava direito da cor dos teus olhos. Não conseguia lembrar do perfume que tu mais gostavas. Não recordava de tanta coisa tua e não te tinha aqui para me lembrar.

Joguei o braço para o lado e ele caiu sobre o teu travesseiro; frio. "Nunca mais", pensei. Nunca mais fugir do mundo com a cabeça entre teus seios. Sentir tuas mãos em meus cabelos, escutar que está tudo bem, que vai passar, que vai regredir. Se Deus quiser, vai regredir.

E o mundo lá fora continuou a girar, o sol nasceu brilhante e o céu zombeiro; azul. Como ousam? Como ousam cuspir em meu rosto alegria e felicidade que me são negadas? Que direito têm?

Que morram e sequem todas as flores, que dos céus caiam todos os pássaros, que se fechem todas as portas e janelas. Que os dias sejam frios, chuvosos e cinzas. Que não se ria, que não se sinta nada a não ser este vazio que machuca, esta certeza de morte em vida, este desespero paralítico e covarde que não me permite terminar com tudo de vez.

Não ousem rir de minha dor. Me respeitem!

Uma semana sem Ana. A primeira de muitas da minha vida. Que vida?

5 comentários:

Luiz disse...

Querido Ruben,
Tenho me sentido nestes dias assim também...em proporções menores...mas logo passará.Um grande abraço!!!

Rubem Cabral disse...

Prezado Luiz,

Não se preocupe pq não é nada autobiográfico, não! É ficção mesmo!

Mas agradeço a preocupação!

abraços

F ú l v i o disse...

Saudações cara!

me identifiquei com seu texto e gostaria de sua permissão para usá-lo, em meu profile de orkut sendo dado os devidos créditos, claro, incluindo-se link.

Algo como externar os infernos que atravessamos silenciosamente, e todos ao redor desconhecem. Somando-se a isto, um pouco de - leia-se sussurado - chantagem emocional. Deixo claro também que a minha perda foi presencial e não física, mas no fim acaba sendo semelhante. :) :(

abraço!

Rubem Cabral disse...

Fúlvio,

Fique à vontade de usar o texto. Ficarei contente em tê-lo reproduzido em qq lugar.

Abçs!

Frodo Oliveira disse...

Olá, Rubem!... Vi que vc está na comunidade Solarium, segui seu link até aqui. Muito bacana o seu blog. Crônicas bem produzidas, contos interessantes e, principalmente, uma parte que muito me interessou, seu "diário" de viagem. Peço que coloque sempre as curiosidades que vc tem passado aí, em terras estrangeiras, é ótimo para que nós possamos saber como funciona o 1º mundo de verdade, longe dos estereótipos do Jornal Nacional.
Parabéns e grd abraço!