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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vivendo no Exterior 2 - Ambiente e Alimentação

O quanto de você depende do ambiente onde você vive?

Eu afirmo: você é arroz e feijão, calor e umidade, água leve e clorada. E sol, muito sol!

Agora, desloque você daí onde você está. Venha morar num lugar mais alto, mais seco, onde a água é tão alcalina que deixa marcas brancas nos lugares onde secou. Coma coisas que você nunca comeu e pare de comer o que você estava habituado a comer.

O resultado? Mudanças! Algumas para melhor e outras para pior. Ha, ha, ha!

A pele fica seca, o nariz sangra, você fica cheio de meleca (ugh). A água te dá caspa nos primeiros meses. A comida te enche de gases.

Depois o corpo se ajusta: minha rinite brasileira de muitos anos acabou, a caspa foi embora também. Os gases, bem, deixa este assunto pra lá...

Você começa ganhando peso e depois emagrece. Ganha peso porque chocolate, queijo e presunto são maravilhosos aqui. Perde peso depois porque se acostuma e porque carne aqui deveria ser vendida em joalheria.

Um quilo de carne de boi de 1a custa, em média, 64 francos. Uns 115 reais! Frango e porco são mais baratos, mas custam o triplo ou mais do que no Brasil. Você só vê porções pequenas embaladas nos mercados: um bife, dois bifinhos, duas coxas de frango, etc.

Comem habitualmente muitos outros bichos aqui: javali, ganso, gamo, carneiro, avestruz, bisão e cavalo. Como eu almoço no restaurante da empresa e, nos primeiros meses, meu alemão mal servia para cumprimentar, provavelmente devo ter comido cavalo sem saber. Mas no mercado eu passo longe! Tenho pena!

Há uma grande mania de produtos "bio" também. Ovos de galinha "bio", pão "bio", iogurte "bio". Tudo sem agrotóxico, com os bichos criados livres, tratados com homeopatia (não podem receber hormônios ou tomar antibióticos). O sabor é igualzinho e é mais caro. Mas como tô sozinho até agosto, compro por achar mais saudável e eticamente correto.

Bem, é só isso por hoje. Se vocês tiverem alguma curiosidade sobre algum assunto é só perguntar.

Abração!

7 comentários:

L.F. Riesemberg disse...

E como são as pessoas aí? Como te tratam? E a música? Os filmes suiços? As gurias? Hein? Abração!

Rubem Cabral disse...

As pessoas são bem legais em geral. Mas são fechadas e quietas. Há muitos problemas com vizinhos aqui na Suíça, pois eles não toleram ruído e chamam até a polícia se você incomodar muito.

Música daqui eu não conheço. O pouco que ouvi é o típico pop que a gente escuta nas rádios. Também não vi nenhum filme suíço. Vi alguns alemãs muito bons. Principalmente os de horror.

As gurias são fechadonas de início mas muito mais liberais do que as brasileiras. Elas também têm uma idéia de que somos "exóticos" ou "ardentes" (rs). Então, se não corresponder, vai arranhar a imagem do brasileiro aqui.

Mena Tximeleta disse...

Meu caro Ruben!
É uma experiência e tanto! E depois de um tempo, a gente vira cidadão do mundo e daí não tem mais volta atrás. A gente fica mais compreensivo, mas antenado ao estrangeiro e sem medos de fazer novas descobertas.
Agora sim, a saudade aperta e pequenos detalhes brasileiros ou de casa se tornam extremamente prazerosos.
O que digo a quem quer que seja que mude de cidade, país ou se fosse possível, de mundo é: não existe nada pior ou melhor mas diferente apenas - do contrário é bem fácil ter um "homesick" bem forte e daí podemos perder a maior característica da humanidade (o poder de adaptação e superação).

Beijos desde a terra de Neruda,

Caio Tadeu de Moraes disse...

Rs, são as alterações genéticas no gado que deixam a carne tão cara? Ou estão injetando elixir da vida nos animais? Se fosse assim eu mesmo matava o porco... kkk / Mas acho que vale a pena por uma dieta mais “desintoxicada”, sem os atuais venenos que dizem aumentar a qualidade da carne, cujo o maior preço é a nossa saúde. Mas, putz, se você montar uma casa de abate “à brasileira” aí tu fica rico!


Eu sei muito bem o que são mudanças drásticas. Há dois anos uma nutricionista diagnosticou intolerância à lactose recém-adquirida em mim, e eu tive que cortar todos os derivados do leite (era isso ou câncer de estomago). O radical era que o leite sempre foi a base da minha alimentação até então. Foi um choque, uma coisa que estava enraizada em mim sendo queimada instantaneamente. Pude ver, meus doces tragos matinais e aqueles finais de tarde da infância em que eu era mimado com o liquido branco esquentado, açucaradas lembranças perdidas. Eu vi o pasto, uma gentil vaquinha se alimentando, olhando para mim, compartilhando do seu leite, deixando que eu bebesse o quanto eu quisesse, me fazendo feliz... Era uma alucinação e em um piscar de olhos tudo acabou. Doei muito abandonar meu cálice esbranquiçado, mas doía mais ainda as crucificações estomacais que eu sofria quando lactobacilos passavam por minha garganta. Adaptações são necessários, e o homem não teria chegado (teoricamente, vinde teorias da conspiração) na lua se não fosse pela nossa esplendida aptidão de esquivar-se das adversidades do meio...

De qualquer modo eu não vivi nem metade das suas experiências de vida, e não ficaria surpreso se você falasse que já acampou em outra dimensão...

Muito bom saber que sua adaptação foi bem sucedida, parabéns sobrevivente!

Caio Tadeu de Moraes disse...

Tenho algumas curiosidades:

*Como a "emigração" influênciou sua escrita? Falando em temas abordados nos contos e modo de tratar as palavras...

*Pode ser uma pergunta estranha, mas eu queria saber qual é a condição do cinema suéco? Nunca assisti nenhum filme vindo daí...


Valew Rubem!

Rubem Cabral disse...

Caio:

Eu lidaria com este problema com lactose fácil, fácil. Só gosto de iogurte e queijo. Aqui em casa, meio litro de leite dura umas duas semanas.

Quanto à pergunta sobre escrever depois que mudei pra Suíça: eu comecei a escrever muito! Mas é algo que teve mais a ver com solidão do que qq outra coisa.

Quanto ao clima suíço (não sueco): pros meus padrões é bem frio aqui. No verão, nos dias mais quentes chega a fazer uns 30 graus. Mas é bem raro. E mesmo nesta época tem dia que faz uns 12 a 15 graus. No inverno não chega a ir muito abaixo de zero. O problema é a persistência do frio. No início do ano por ums três semanas a temperatura ficou entre -8 a -2. Neve até o meio das canelas na rua. Eu deixava um par de sapatos no trabalho e ia de botas (pra não escorregar), todos os dias. Tinha que usar roupa térmica por baixo (é horrível, parece a roupa do Superpateta! rs)

Abraços, amigo! Boa semana pra ti!

L.F. Riesemberg disse...

Olá, Rubem. Tudo bem? Indiquei o seu blog para este prêmio:

Tem umas regrias no blog, mas vale a pena!!!

http://mundodarkness.blogspot.com/2009/07/selos-e-memes.html

Abraço!