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segunda-feira, 9 de março de 2009

Ivo

O tempo havia passado para Ivo.

Quando este ainda era seu amigo, escorregava preguiçosamente e parecia-lhe que sempre podia adiar o que não queria enfrentar. Ivo não era uma criatura do "agora", mas alguém "algum-dia". Não era um homem de atos, mas de sonhos e devaneios.

E viveu então uma vida sem riscos e sem cor. Nunca roubou um beijo. Nunca se meteu numa briga. Não sentiu ou fez-se sentir.

Mas o tempo foi traiçoeiro e foi acelerando o seu ritmo. E o que era um trotar calmo, tornou-se caudaloso e feroz.

E, naquele dia de outubro, observando as folhas marrons rodopiando no vento frio, Ivo sentiu um calafrio quando olhou para dentro de si e não encontrou luz. Não encontrou nada.

E, como de hábito, refletiu e pesou o que poderia fazer. E embora, uma parte de si gritasse por alguma ação, ele calou-se e continuou sua jornada rumo à mediocridade.

Quem sabe, em outra vida ou ... depois?

Um comentário:

Mike Varão disse...

Ivo não deixa de ser um herói... acho que todo covarde tem um quê de herói, nem que seja por carregar nos ombros sua própria mediocridade.
Sei lá.. mas é que eu enxergo certa beleza nos abstinentes da vida...
Lindo texto!
Parabéns, Rubão!