Total de visualizações de página

sábado, 7 de março de 2009

Dedos

E a casa, de repente, se viu vazia... Sem as mãos pequenas e de unhas roídas que de tudo cuidavam. Não se escutava mais música alegre que tanto incomodava os vizinhos e já não se pulava nos braços e se girava quando eles se encontravam no fim de cada dia.

E logo, tudo cobriu-se de pó, e as frutas mofaram na geladeira e o pão esquecido sobre a mesa virou pedra. Não se fez mais pudim ou tiramisu.

E as roupas sujas se acumulavam, e o aquário se coloria de verde e somente alguém pálido e soturno, movia-se para cá e para lá. Sem destino ou objetivo. Vivia cada dia apenas esperando o dia passar.

E levantava-se toda manhã e caminhava pelas ruas cinzentas penosamente. E reclamava do frio, e xingava os corvos. E, em casa, tentava limpar a neve dos seus sapatos e de sua alma.

Deitava-se então mais uma vez no enorme leito vazio e lembrava e sonhava com os dedos pequenos das mãozinhas vermelhas e quentes e com os olhos que não se decidiam em serem verdes ou castanhos.

Rezava então baixinho, para que aquele dia passasse e que, novamente completo, com sua metade melhor, voltasse a ser feliz.

3 comentários:

Mike Varão disse...

Rubem!
Que saudade linda! E que desleixado! hehehe!

Adoro você escrevendo!
Beijo, bonitão!

wilson disse...

Muito intenso...
Saudade é isso, um pouco de tristeza com um pouco de esperança...

Mena Tximeleta disse...

Estimado Ruben,
senti muito aperto no coração ao ler "Dedos". A história tem cadência e ritmo. Legal.
abs, desde a terra de Neruda,
Mena